Pediram-me para que eu descrevesse a minha primeira lembrança. Pensei que seria coisa fácil, mas as lembranças vêm embaralhadas, confusas. Lembro das férias ou do fim-de-semana na praia, na casa do cata-vento; lembro da areia branca, ou melhor, pérola; lembro do sol forte, claro, brilhante, ou melhor, deixando a atmosfera brilhante. Lembro do meu fascínio pelo engenho, pela máquina do cata-vento, lembro de observar atentamente seus mecanismos, também sua beleza. Era um cata-vento destes antigos, prateado, tipo americano, o círculo de lâminas em cima de uma torre, também “de prata”, destas torres que lembram as de perfuração e busca de petróleo, também antigas, como antigas são as lembranças.
Também me lembro do primeiro dia em nossa nova casa, a da “Avenida Jovita Feitosa, 2290”. Com que orgulho eu “recitava” este endereço quando perguntado. Lembro do terraço amplo, com colunas retangulares, finas, em ladrilho amarelo, lembro de minha felicidade, de correr... Lembro de sair de um espaço apertado, a casa da vila onde morávamos, ou era da casa quase no centro da cidade? Destas que a porta da rua dá direto na calçada? Bom, enfim, a lembrança é de uma felicidade por poder correr, brincar, deslizar naquele terraço de cerâmica retangular vermelha. Lembro com nitidez de minha irmã, ainda em um andador, tentando me acompanhar, que graça!
Bom, o pedido foi da primeira lembrança, mas não sei o porquê, estas duas vêm juntas, sempre, talvez porque ambas façam referência à liberdade, ao vento, ao sol, à amplidão das areias da praia, à “amplidão” daquele terraço. Talvez a casa anterior me oprimisse, não sei; e isto não é mais primeiras lembranças, já é análise...
Ah! Antes de terminar só queria agregar à liberdade, ao sol, à amplidão do terraço e da praia, o fascínio pelo cata-vento, sua beleza, seu maquinário, estrutura e funcionamento. Vou ficando por aqui, tenho medo de sair da espontaneidade das lembranças de criança e começar a analisar no ofício de analista, de terapeuta.
Até mais...
Também me lembro do primeiro dia em nossa nova casa, a da “Avenida Jovita Feitosa, 2290”. Com que orgulho eu “recitava” este endereço quando perguntado. Lembro do terraço amplo, com colunas retangulares, finas, em ladrilho amarelo, lembro de minha felicidade, de correr... Lembro de sair de um espaço apertado, a casa da vila onde morávamos, ou era da casa quase no centro da cidade? Destas que a porta da rua dá direto na calçada? Bom, enfim, a lembrança é de uma felicidade por poder correr, brincar, deslizar naquele terraço de cerâmica retangular vermelha. Lembro com nitidez de minha irmã, ainda em um andador, tentando me acompanhar, que graça!
Bom, o pedido foi da primeira lembrança, mas não sei o porquê, estas duas vêm juntas, sempre, talvez porque ambas façam referência à liberdade, ao vento, ao sol, à amplidão das areias da praia, à “amplidão” daquele terraço. Talvez a casa anterior me oprimisse, não sei; e isto não é mais primeiras lembranças, já é análise...
Ah! Antes de terminar só queria agregar à liberdade, ao sol, à amplidão do terraço e da praia, o fascínio pelo cata-vento, sua beleza, seu maquinário, estrutura e funcionamento. Vou ficando por aqui, tenho medo de sair da espontaneidade das lembranças de criança e começar a analisar no ofício de analista, de terapeuta.
Até mais...
5 comentários:
Essa é difícil.As lembranças vêm todas emblharadas mesmo.Lembro-me de uma vez em que meus pais ainda eram casados e morávamos numa chácara, do meu avô, por sinal,e ele estava me ensinando os nomes das partes de um trator para arar terra, pura mecânica, não lembro de nada dos nomes, mas lembro do vento forte, de um bentivi cantando, da árvore em que estávamos embaixo,e do sol escaldante que fazia no dia...essa é minha primeira lembrança.
O que me impressiona mesmo em sua lembrança é que ela me faz recordar o episódio bíblico da perda do Paraíso Terrestre, e com isto, a herança do trabalho: "Cultivarás a terra com o suor do teu rosto."
Contudo, o novo é o "vento forte", o "bem-te-vi cantando", a sombra da "árvore".
Quando a gente perde um Paraíso, algo ou alguém que nos dá a ilusão de completude, resta a saída do Trabalho, da Elaboração, sejam eles caracterizados pela Pura Mecânica ou pela Poesia Pura, ou quem sabe, por uma mescla dos dois.
Ocorre-me que a Psicologia, a Psicanálise é uma mescla destes dois tipos de trabalho, um esforço para dar um enquadre racional (a pura mecânica) na subjetividade (a pura poesia), não é?
Obrigado por seu depoimento bastante inspirador.
Um abraço,
Bob.
O que eu me recordo da minha infância (alias nao eh so a minha primeira lembrança, mas como também a única), e do falecimento do meu irmão, quando eu tinha 5 anos... lembro da minha mãe recebendo a noticia, o choro, a dor... cenas do velorio e enterro eu tenho muito claras na minha memória, como se fossem hoje... e posteriormente o sofrimento do luto...
somente isto...
:(
A única lembrança
Através de uma única flor, é possível desenvolver um canteiro de flores, um orquidário...
Como dizia o poeta:
"Na parede da memória esta lembrança é o quadro que dói mais...", mas, certamente há outros quadros, talvez de difícil acesso, mas estão lá, tente acessá-los, vê-los, ou melhor, revê-los, pode lhe fazer bem.
Ademais, caso esteja difícil, resta ver o mesmo quadro, a única lembrança, sobre outros ângulos.
Tente, experimente.
Um abraço,
Bob.
Parece que tudo está cheio de névoa, tenho muita dificuldade em visualizar. Lembro-me fracionado de um clube, minhas irmãs ao lado do meu tio materno e eu em pé ou talvez sentado no mesmo. Vem tbm na lembranças os domingos agradáveis em um clube campestre no interior de São Paulo aonde residimos por um tempo. A grande lagoa que atravessávamos a nado com meu querido pai. Em outro momento residindo em outro estado, lembro-me de minha irmã afogando na piscina, minha mãe de bíquini não conseguia pular e pedia socorro. Recordo muito de minha avó materna fazendo crochê sentada na poltrona da sala.
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