No banho de chuva olhos sexagenários veem antigo cenário.
blog do bob
Psicólogo de Inspiração Psicanalítica. Psicoterapeuta. Professor de IES em Brasília. Zen Budista. Cearense radicado no Distrito Federal. Compartilho com vocês estas mal digitadas linhas...
05/04/2026
Lágrimas de chuva
No banho de chuva olhos sexagenários veem antigo cenário.
os deuses dançam
sobre o túmulo de deus
multiplicam-se
tablets
i-phones
net-books
smart-phones
mensagens mis
deuses do início
do meio
sem fim
Paraíso
tens uma cela, um catre - a abençoada penumbra.
Ah! uma janela para a claridade... e saudade nenhuma.
de lacuna em lacuna
até aparecer a dor (na coluna)
até perder o sentido das runas
até caminhar para as dunas, última lacuna
para que?
se tu tens cara
para que cara
se tu tens fala
para que fala
se tu tens escuta
para que escuta
se tu estais muda
obra pus ferida prima
nem tudo se vê para crer
nem toda mona é lisa
nem todo dia é d
nem toda vera é prima
nem todo ouro reluz
nem toda festa tem clima
nem toda ferida verte pus
com fusão
uma bala de canhão no meu coração
uma bala de festim no meu jardim
falo da desproporção
entre afeto, mão e razão
entre sexo, mano e tezão
que confusão...
Da borda do centro vazio
olha para mim este vadio
a quem plagio
com quem gladio
nossa queda está por um fio
da borda do centro vazio
Sem sonhos nem despertar
Rir do sutil recado
OM
Em torno de mim um silêncio incrível.
Por dentro de mim ressoam mil tambores.
Uma alma me escuta.
Mil almas rodopiam no salão.
Onde está o salão?
Dentro das mil almas.
Onde estão as almas?
Rufando tambores.
Dentro e em torno de mim.
Onde está o silêncio?
No som.
Trança
Minha lança observa seu alvo.
Seu alvo sorri para minha lança que se lança.
Que bela e estranha dança...
05/10/2025
Chaves
Guarda um segredo
Maneiro
Felipe é a chave de abóbada
De seu céu
Inteiro
Que abre os corações
Sorrateiro
Ódio mete em chaves
Pessoas e sentimentos
Traiçoeiro
Ainda espero
16/08/2025
Um critério apenas
Teikan, esse pequeno texto tem uma força poética e, ao mesmo tempo, reflexiva. A seguir, uma análise em três dimensões: estilo, conteúdo e efeito filosófico-existencial.
1. Estilo
O texto se constrói em tom meditativo, com frases curtas, intercaladas por interjeições ("Ah!") que evocam uma cadência quase litúrgica ou confessional. O ritmo oscila entre a leveza lírica (quando fala da poesia, do mistério, da transcendência) e a ironia sutil (quando insere o dinheiro como critério de avaliação).
Há também o uso de anáforas ("para com") que dão unidade e eco, reforçando a ideia de sensibilidade como critério de valor.
2. Conteúdo
O texto propõe uma inversão de perspectiva: avaliar o valor de alguém não por padrões convencionais (riqueza, produtividade, status), mas pela capacidade de ser tocado pela poesia, ou seja, pela abertura à experiência estética, ao enigma e à transcendência.
Três camadas de sensibilidade são destacadas:
-
Para consigo mesmo – mistérios interiores.
-
Para com os outros – tanto o enigma quanto a banalidade.
-
Para com o transcendente – aquilo que está além da palavra.
Na sequência, há a volta irônica à realidade: o dinheiro também é critério. Mas o "apenas um critério" minimiza o peso absoluto da economia, sem negá-la.
3. Efeito filosófico-existencial
O texto oscila entre a utopia e a crítica social. Ele sugere que o mundo seria mais justo (ou ao menos mais belo) se a sensibilidade fosse a medida do valor humano.
A inserção do dinheiro, no entanto, impede que o texto caia numa ingenuidade romântica: reconhece que vivemos em uma sociedade que não pode prescindir de critérios materiais. Mas o dinheiro, no fundo, é relativizado — rebaixado a “um critério, apenas”, contraposto ao valor supremo da poesia e da sensibilidade.
✅ Em suma:
É um texto que articula lirismo e crítica, com leve ironia. Sugere um critério de humanidade baseado naquilo que nos torna mais finos, vulneráveis e abertos — a poesia —, sem negar que a vida prática exige outro tipo de medida. Ele poderia muito bem servir como um prefácio para reflexões sobre ética, estética e existência.
11/03/2025
Teso, enterneço
Meus loucos
08/03/2025
Freud explica, explica?
por favor, explica
essa rima
em mim.
Ou
Essa falta de rima,
a lacuna,
a poesia,
enfim...
Ou
Vida e morte,
morte e vida.
Esse ritmo.
Assim...
Ou
Escuta
por favor, escuta
esse canto
obsessivo em mim.
Tempos
Tempo moderno, ainda te espero.
Tempo atual, és real?
De tempos em tempos,
mudam-se os tempos,
velozes... lentos.
De momento, só sinto o tempo.
Tempo:
Ângulos
Vasily Kandinsky
No mais, o furo no muro
07/03/2025
Caninhos
O poema Perdido, com o título Caninhos, apresenta uma estrutura concisa e cadenciada, marcada pela alternância entre versos principais e complementares. O ritmo é reforçado pelo paralelismo sintático e pelo uso de verbos no presente, que conferem um tom imediato e reflexivo.
Análise Estrutural e Sonora
O poema se organiza em pares de versos, nos quais o primeiro estabelece uma situação e o segundo funciona como um eco conciso, quase como uma resposta interna. A escolha dos verbos (Desconheço, Lido, Fico, Digo) cria um fluxo narrativo que sugere uma progressão de estados psicológicos: primeiro a incerteza (Desconheço o Caminho), depois o esforço de enfrentamento (Lido), a solidão reflexiva (Fico) e, por fim, a verbalização da solução possível (Digo).
O jogo sonoro é sutil, mas eficaz. Há rimas internas (Caminho/ninho/sozinho/Caninhos), que criam coesão e musicalidade. Além disso, a repetição do sufixo -inho remete a algo pequeno, delicado ou até infantil, o que pode intensificar a sensação de fragilidade ou de tentativa de encontrar saídas improvisadas.
Sentido e Simbolismo
O eu lírico expressa uma sensação de perda e desorientação (Desconheço o Caminho), associada à falta de um espaço seguro ou pertencimento (falta de ninho). A progressão emocional culmina na necessidade de invenção (Só me resta inventar Caninhos), sugerindo um processo de criação como forma de lidar com a incerteza.
O título Caninhos remete foneticamente a "caminhos", mas no diminutivo, o que pode indicar percursos menores, improvisados ou singelos. Além disso, o título evoca uma possível alusão a cães (caninos), o que poderia sugerir tanto a busca instintiva por direção quanto uma metáfora para fidelidade, companhia ou farejamento de novas trilhas.
Interpretação Global
O poema transmite uma sensação de deslocamento existencial e uma resposta criativa a essa condição. O eu lírico, diante da perda e da solidão, transforma a necessidade em invenção, convertendo a falta de caminhos convencionais em "Caninhos" próprios. Essa solução pode ser lida como um gesto de resistência, adaptação ou mesmo um ato poético de recriação do próprio destino.
Caso deseje intensificar o efeito do poema, uma possibilidade seria explorar ainda mais a ambiguidade do título ou reforçar o tom sensorial da experiência de estar perdido e criar novos rumos. Mas, como está, o poema já apresenta uma estrutura coesa, uma sonoridade marcante e um jogo de significados aberto e sugestivo.
05/03/2025
Psiquê
Borboletas: Atos, falas e letras... Terapêuticas xxx O poema, intitulado Psique, é curto, mas profundamente simbólico. O uso da palavra "Borboletas" remete diretamente ao mito de Psiquê, cujo nome em grego significa tanto "alma" quanto "borboleta", estabelecendo uma conexão entre transformação, fragilidade e autoconhecimento. A sequência de palavras — "Atos, falas e letras" — sugere elementos fundamentais da experiência humana e da comunicação. São também aspectos essenciais da psicoterapia: os atos do paciente e do terapeuta, as falas que emergem no setting terapêutico e as letras, que podem remeter tanto à escrita quanto à interpretação da história pessoal. O último verso, "Terapêuticas", amarra o significado, indicando que esses elementos — ações, palavras e registros simbólicos — possuem um efeito de cura ou transformação. Assim como a borboleta passa por um processo de metamorfose, a psique também se transforma ao longo do processo terapêutico. O poema, embora minimalista, é altamente sugestivo e evoca a complexidade da experiência psicológica e do processo de cura psíquica. | ||
Haicai 05
Humanidades
Um belo dia
meu filho me perguntou
como eu imaginava
a face de Deus
Depois de passado o susto
pensei
ponderei
me esforcei
E respondi: "não sei"
Ele me sorriu
e aliviado me correspondeu:
"Nem eu"
Ivo
de
press
-ivo
modo de ser
de estar
de se relacionar
imperativo
ímpar
sem-par
sem igual
único
unicolor
unicorne
unicursal
tal-e-qual
semelhante
igual
ao depressivo
Secularização
da casa e da escola
me percorre até agora
A antiga Mística, senhora
da mesa giratória e do oratório
é nesta hora Esforço Civilizatório