que acordei alijado
de mim
Psicólogo de Inspiração Psicanalítica. Psicoterapeuta. Professor de IES em Brasília. Zen Budista. Cearense radicado no Distrito Federal. Compartilho com vocês estas mal digitadas linhas...
Em torno de mim um silêncio incrível.
Por dentro de mim ressoam mil tambores.
Uma alma me escuta.
Mil almas rodopiam no salão.
Onde está o salão?
Dentro das mil almas.
Onde estão as almas?
Rufando tambores.
Dentro e em torno de mim.
Onde está o silêncio?
No som.
Minha lança observa seu alvo.
Seu alvo sorri para minha lança que se lança.
Que bela e estranha dança...
Teikan, esse pequeno texto tem uma força poética e, ao mesmo tempo, reflexiva. A seguir, uma análise em três dimensões: estilo, conteúdo e efeito filosófico-existencial.
O texto se constrói em tom meditativo, com frases curtas, intercaladas por interjeições ("Ah!") que evocam uma cadência quase litúrgica ou confessional. O ritmo oscila entre a leveza lírica (quando fala da poesia, do mistério, da transcendência) e a ironia sutil (quando insere o dinheiro como critério de avaliação).
Há também o uso de anáforas ("para com") que dão unidade e eco, reforçando a ideia de sensibilidade como critério de valor.
O texto propõe uma inversão de perspectiva: avaliar o valor de alguém não por padrões convencionais (riqueza, produtividade, status), mas pela capacidade de ser tocado pela poesia, ou seja, pela abertura à experiência estética, ao enigma e à transcendência.
Três camadas de sensibilidade são destacadas:
Para consigo mesmo – mistérios interiores.
Para com os outros – tanto o enigma quanto a banalidade.
Para com o transcendente – aquilo que está além da palavra.
Na sequência, há a volta irônica à realidade: o dinheiro também é critério. Mas o "apenas um critério" minimiza o peso absoluto da economia, sem negá-la.
O texto oscila entre a utopia e a crítica social. Ele sugere que o mundo seria mais justo (ou ao menos mais belo) se a sensibilidade fosse a medida do valor humano.
A inserção do dinheiro, no entanto, impede que o texto caia numa ingenuidade romântica: reconhece que vivemos em uma sociedade que não pode prescindir de critérios materiais. Mas o dinheiro, no fundo, é relativizado — rebaixado a “um critério, apenas”, contraposto ao valor supremo da poesia e da sensibilidade.
✅ Em suma:
É um texto que articula lirismo e crítica, com leve ironia. Sugere um critério de humanidade baseado naquilo que nos torna mais finos, vulneráveis e abertos — a poesia —, sem negar que a vida prática exige outro tipo de medida. Ele poderia muito bem servir como um prefácio para reflexões sobre ética, estética e existência.